terça-feira, 23 de junho de 2009

Sócrates: o outro lado da Lua!

Eu não queria ter de opinar sobre isto, uma vez que tal encomenda me deixa sempre com alguns pruridos na zona lombar, ou melhor dizendo, na zona da minha modesta criatividade. Refiro-me, para que não restem dúvidas, que o Isto dito acima se chama Sócrates – o tal do engenheiro fabricado algures numa praça junto de si!

Bom, mas vamos lá engolir o sapo e escrever uma linhazitas opiniosoas acerca do indivíduo e da suposta parte do feijão frade que, pelos vistos, anda a incomodar toda a gente.
Para quem tem algum treino, como eu, em estar atenta às supostas partes todas dos outros, tenho a dizer-lhes que o Sócrates nunca escondeu nada. A verdade do seu cinismo (fruto da sede insaciável de poder que tem), da sua arrogância (fruto de um narcisismo frágil, isento da humildade necessária a todos nós para nos reconhercermos a nós mesmos como somos), do seu autoritarismo e a da sua fraquíssima capacidade de liderança, sempre esteve à vista de todos. Contudo, já nem sei se o que me incomoda, e me leva nomeadamente a escrevinhar estes miseráveis palpites, é a sua “dupla face” ou se é a surpresa que, entretanto, a sua mais clara evidência promove em muitos dos que têm opinado sobre o assunto.
Não se fala noutra coisa - é o assunto do dia, seja para os comentadores de televisão que cegos, e burros alguns, andam constantemente a reboque para manterem o lugarzinho que lhes convém nas carteiras assíduas dos que têm alguma coisa a dizer; seja para os políticos que à falta de ideias novas e de propostas concretas, execuíveis e verdadeiramente alternativas para governar a malta, se servem agora do embuste do cavalheiro para se iludirem a si mesmos de que desta vez é que é; seja para o povo que vota (ou não, porque o povo é de apeteceres e nem sempre comparece) que, na esperança de que a indignação ainda faça parte do leque das suas faculdades, vai de boato em boato mantendo o segredo relativamente à sua simpatia – mais que não seja, porque na hora h, dá sempre jeito comer feijão frade com atum! – seja para muitos outros e mais alguns...

Pergunto: mas será que estas manifestações de dupla face, são mesmo aquilo que mais importa? Não valeria a pena, isso sim, executá-lo de vez pelas merdices que tem andado a fazer ou a dizer que faz, sendo que, pelos vistos, segundo vem agora admitir, já pode ser tudo de outra maneira? (exemplos: a avaliação dos professores que afinal era demasiado burocrática, as grandes obras públicas que afinal podem esperar porque não há dinheiro que as pague, o desemprego que diminui, porque as estatísticas confirmam sempre as aldrabices que forem necessárias, etc...)No meio disto, bom mesmo seria que não nos esquecêssemos de que é este senhor feijão frade (com toda a humanidade que lhe assiste e que eu, nem sequer questiono) que nos tem governado e ditado as regras com que temos que viver no dia a dia. E tem-no feito porquê? Porque a maioria de nós (eu estou a salvo aqui, dado que, arrogantemente que seja da minha parte, ele a mim, nunca convenceu) o colocou lá. E quer-me cá parecer que mesmo sendo o assunto do dia, ele continua a dar jeito a muitos dos mal resolvidos que somos!

Valha-nos deus, senhores! Valha-nos deus!! Haverá algures em algum lado, povinho mais hipócrita, desonesto e trapaceiro que o meu?

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