Do camarote-quase-presidencial de onde diariamente (ou sempre que a paciência não se me esgota!) assisto aos dramas dos outros que se fantasiam de personagens - uns dramáticos, outros nem por isso - tenho escutado amiúde um tal de argumento comum a que, pelos vistos, chamam de “Crise”! Não sei quem raio foi o autor de tal movimento operático, mas tem-me parecido muito desenchabido, para não dizer mesmo, grosseiro e mal alinhavado. Talvez seja a minha expectativa que me atraiçoa, mas confesso que em momentos como este esperei que os ditos viessem mais artísticos. Afinal, parece ser um mote maior que nós, à escala internacional, o que, desde logo, legitimaria mais amplitude criativa.
Não. Não têm vindo, para meu desalento!
Uns, os tradicionalmente dramáticos, têm falado numa nova língua – a do “pessimismo” (palavra que merece o meu itálico dado ser um estrangeirismo!) - quando o que esperava deles, era uma real e expressiva fala de revolta; os outros, tradicionalmente brejeiros e simpáticos, andam preocupados em fazer contas à vida enquanto espreitam pelo canto do olho (para que ninguém saiba) as cotações da bolsa de valores, não vão ter agora a possibilidade de ganhar finalmente a lotaria!
Pergunto: mas que raio de brincadeira vem a ser esta, a da Crise?! Então já não se apresenta ninguém com dotes verdadeiramente artísticos que mereça o meu respeito? Quem se apresenta afinal, capaz de desencalhar a consciência da malta e começa a desconstruir falácias, a exigir demissões em barda daqueles que estão no poder, a ter a coragem de não alinhar nesta palhaçada que desfigura mais do que os pilares do bem amado capitalismo! Mas que raio de gentinha é esta a do nosso país, que só pensa no seu umbigo e nada mais sabe fazer a não ser esperar sentadinha na cadeira de baloiço, até que o melhor dos dias se apresente por ai, vindo do céu, ou pior ainda, da América ou da Europa!
Chama-se Demissão aquilo a que assisto todos os dias!
É a Demissão Passiva do Povo!
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Bloguinho acabado de sair do forno!!Ainda cheira a tinta fresca.
ResponderEliminarPois é, amiga Azul, revolta-se contra o demissionismo. Esse é o mal de muita gentinha. A começar por mim, em certos dias, quando me apetece mandar tudo às urtigas e começar a plantar batatas no quintal. (Helas! Não tenho quintal... Só posso pensar em batatas virtuais...)
Mas depois olho à volta e vejo que ainda há gente que luta. Porque há, basta estarmos atentos... E não falo em luta política.
Vá, Azul, escolhe o teu posto, ocupa-o e deixa rasto.
Sim, eu sei ( e tu sabes melhor que ninguém, tu que trabalhas com a "alma" das pessoas...)que o género humano é frequentemente desprezível, as pessoas são más, egoistas, estúpidas, presumidas, vaidosas, invejosas... Quando me olho ao espelho é o que vjo muitas vezes..
Mas não há altenativa: é preciso acreditar na pequenina parte de nós que é capaz de solidariedade, de altuismo,de solidariedade.
E acredtar nessa força imensa que brota de onde e quando menos se espera: o AMOR, esse glorioso AMOR de que estou a ouvir agora uma canção maravilhosa de Andrea Boccelli ao lado da amada que me ajuda a acreditar na vida, ela que trata da mãe semi-entrevada e de um irmão deminuído, e fá-lo sem uma queixa. Porque é preciso!
Beijinho azul do amigo
faltava a faceta opiniosa. muito bem. e a cor, é para decifrar?
ResponderEliminarOlá TCA. Obrigada por ter vindo até aqui. A cor nada tem de secreto! Foi o template escolhido escolhido e é tudo. A não ser assim, só poderia ter um carácter caricatural!!
ResponderEliminarAbraço. Até breve. Azul.
Há os demitidos, há os adormecidos, e também há - e cada vez mais - os que lutam para quew as coisas se alterem!
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